Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Motas do sono


É oficial: o Lethal B é o tipo mais ridículo do grime.

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

esconderijos subterrâneos

"street soldier" volta a mostrar (como se tal fosse necessário) que a ny é o melhor rebuçado a oferecer como contraponto a um grime tão dado à impenetrabilidade/aspereza. demarcando-se da restante "concorrência" (existe?) pela elegância e doçura com que dialoga com os bad boys do género soa de tal modo natural que todos deviam esquecer que esta senhora existe. split endz é prova disso. aqui, as ruas servem de cenário para um encontro com um doctor extremamente satisfatório no modo "gotta man", por entre apontamentos vocais 2 step de um instrumental em cascata sintetizada do davinche. os "oh" do doctor no refrão de desnecessários poderiam ser mesmo irritantes, não fosse a agridoce prestação da ny (pelo seu pendor algo combativo) eclipsá-los (quase) por completo. kudos pela sensatez.

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Sabor a nuvem


O Killer Instinct tem o defeito já comum neste formato: há faixas boas e fraquinhas, exigindo de nós algum sentido de selectividade para equilibrar as coisas. É bom que o Killa P vá editando por duas razões que me parecem óbvias: por ser um óptimo MC e por contar sempre com a presença do Flowdan, que, à falta de mixtapes, vai criando expectativas a seu ritmo. "Gs Up" é um miminho bastante requintado e bem embrulhado (melhor faixa?), "Ganja" não é surpresa nenhuma por já ter vindo no Rules And Regulations, o que não impede, porém, de ter os arranjos de cordas mais consistentes e adequados de que há memória no grime, "Body Bag" é chuva de confettis e "Stage Show" é o melhor riddim do Skepta de sempre (se bem que o Riko soube tirar proveito dele de uma forma mais estimulante no The Truth).

Repito: "Stage Show" é o melhor riddim do Skepta de sempre.

Terça-feira, 29 de Abril de 2008

saliva

se por um lado são inegáveis as qualidades do durrty goodz como mc, por outro reduzir o valor de axiom ao seu protagonista não é mais do que tentar tapar o sol com a peneira. exemplo paradigmático de como termos como inovação e experimentalismo tanta falta têm feito ao grime, o cuidado/detalhe prestado à produção tratou de fazer do ep a melhor memória de 2007. após um início de ano estranhamente silencioso numa altura em que grande parte das atenções estavam viradas para ele*, aparece agora vinda de nenhures esta concrete streets como cábula que nos relembra que 2008 terá necessariamente de passar por ele. constatação algo óbvia atendendo a um durrty extremamente ginasticado, e de uma das produções mais bizarras de que há memória no género (blackdown). melodias fantasma brincam às escondidas e atinge-se aquilo que de mais próximo se esteve até hoje de um grime (digamos) psicadélico (?).
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*ainda assim, não deixo de ter as minhas dúvidas de que grimewave venha a ser tão essencial como se espera.

hoodies & prada

da colaboração entre o jme e os H2O é viável dizer-se que será a malha com maior probabilidade de vir a fazer companhia a "wearing my rolex" no top britânico. numa suposta (e bem vinda) reaproximação dos thugs de E3 às pistas de dança, melhor que grime meets electro, talvez só mesmo grime meets bassline.

além disso legitima também que espere para serious alguma da hotness de tropical. o que neste contexto só pode ser prenúncio de algo bom.



martelo

durrty goodz - concrete streets / soundboy murderer
trim - soulfood vol. 3
tempa t - par
bashy - kidulthood
killa p - killer instinct
skepta - reign
H2O feat. jme - bassline collaboration (?)
riko - the truth
doctor - rise the temperature
ghetto - freedom of speech
fuda guy - you`ll never
chipmunk - muhammad ali


Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

prova dos nove

apenas três momentos em soulfood vol. 3 me fazem ponderar se irei ouvir algum(a) albúm/mixtape este ano que supere tantas expectativas em torno do novo santo graal do grime*: as presenças do little d (que mesmo assim são incapazes de destruir "full of shit" e "i`ll do me"), um inusitado diss ao flowdan, que acaba por desvirtuar uma óptima produção do brain e dois minutos a mais numa "the bits" que, não padecesse deste hábito algo irritante seria mais valiosa do que freedom of speech na sua totalidade. está longe de ser mau, apenas me parece impossível ouvir tanta descarga de violência gratuita (e o ghetto próximo da apoplexia) durante cerca de uma hora. mas todos parecem estar muito satisfeitos, por isso o problema será certamente meu**.

*a não ser que born blessed seja mesmo lançado

**qual a necessidade de um spoken word lo-fi anexado a "the mountain", que é a par de "darkside freestyle" a melhor malha da mixtape?

imune ao falatório, o enorme killa p lança um killer instinct mais do que satisfatório (o que para as qualidades do mc terá necessariamente de ser mais do que the truth mostrou ser***). apesar dos desnecessários radio rips de qualidade duvidosa, e da pouca novidade contida (grande parte dos temas já eram conhecidos), ter "body bag" (aquilo que tão bem serviu o busy signal torna-se na melhor produção do skepta desde "in a corner"), "ganja", "war with me" ou "on the road" no mesmo disco só pode ser sinal que o lugar numa futura hall of fame do grime está mais do que assegurado.
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***o riko não deixa de ser estimulante, mas não tem a capacidade hercúlea de aguentar consistentemente um álbum duplo.

Domingo, 13 de Abril de 2008

Chuva em dieta


Letargia no dubstep? Vejamos:

-Há corações fraquinhos a bater por vocoder (num contexto 2-step, soa dolorosamente desajustado);

-Há edições a mais na Hyperdub, indo da comichão que é o 12" da Ikonika ao enjoo digital que é a "Spliff Dub" do Rustie;

-Há, assim muito discretamente, uma estagnação de lançamentos, o que obriga o mercado a apostar em reedições de faixas com "darkstep" cravado a lâmina no peito (o EP do El B, por exemplo).

Esperança? Alguma:

-TRG, "Broken Heart (Martyn Remix)"

-As edições da Deep Medi Musik, que continuam a ser a minha escolha para acompanhar a minha prática de Zazen.

Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

sapatilhas

após uma espera demasiado demorada, o segundo número da woofah acabou finalmente por sair. a comprar (podendo).

Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

cadeira de verga

"dark" poderia também ser chamada de "in a corner pt. 2", sequela não tão má quanto o desastre renny harlin para die hard 2, mas longe de "switching songs pt. 2". está (quase) para "in a corner" como "rolex sweep" para a malha mais potenciadora de hype desde quê? "oi"? (passe o exagero óbvio). não deixa de ser um reciclar natural no skepta, e felizmente já não força constantemente o flow da "single". substitui momentaneamente as linhas sobre o merchandising da bbk pela tónica dos drive by shootings e conquista de território e consegue soar mais convincente do que em "king of grime". meramente agradável mas sempre acalma a discussão em torno da capacidade de microphone champion calar todos os haters (pós-greatest hits) mais interessados na sua colecção de chapéus.

Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Denúncias


A Suavidade já tem um espaço na RUC. Terça-feira às 13h. Não tão belo como o marfim das morsas, mas, ainda assim, elegante.

Sexta-feira, 28 de Março de 2008

hipérbole

a tendência generalizada para os cerca de cinco minutos de duração de todas as malhas de dubstep, leva inevitavelmente a que óptima(s) ideia(s) se tornem em papel de parede de bom gosto. se tal pode ser "necessário" para que se atinga a envolvência desejada, a mera repetição de (boas) matrizes (que por vezes não passam de simples coordenadas) conduz inevitavelmente à auto-fagia. é por isso que gosto tanto de coisas como a "night" e me aborreço facilmente com a "fear" do applebim. o eternamente adiado disco do benga também padece desta maleita, e a "forgive" do mala, no alto dos seus seis minutos e trinta é o paradoxo.

Quinta-feira, 27 de Março de 2008

Salinas


A presença do Wiley e do Skepta no último BBC1 Extra foi, seguramente, a maior projecção do grime naquele país (este episódio? médio). É natural que se pense isto, dado o propósito da circunstância, mas não foi assim tão linear. Bom, escolheram um mini-alinhamento mais do que óbvio, começando na "Gangsters" e acabando na "Wearing My Rolex", o melhor doce (catchy) a aparecer nestes primeiros meses do ano. Mas resolveram ir também pelo caminho do showbiz, adicionando um número ridículo de dança à "Rolex Sweep", faixa cujo fim me parece ser não mais do que esse. O resultado? Isto. Até o Jammer se deixou levar. "DO THE ROLEX SWEEP" poderá ser o ingénuo destino da credibilidade do grime. Para os que estão por fora, é mais uma efeméride que entretém; para os que se interessam, é uma forte chapada na tromba.

Domingo, 23 de Março de 2008

aritmético

a intro mais óbvia (e despropositada) de sempre e "leader of the new school" não são os melhores 4 minutos para começar simply the best vol. 2. redime-se momentâneamente nas cinco/seis faixas seguintes, mas deixando-se cair logo em seguida no hip-hop rotineiro das suas últimas produções*. nada de particularmente ofensivo, apenas desesperadamente mediano (até porque scorcher mostra ser um mc bastante estimulante actualmente). "concrete jungle" e "school of the hardknocks" conseguem ser bem mais interessantes do que toda a restante produção, através do seu despojamento sincero a exalar uma descontração salutar (com scorcher consonantemente divertido), que apesar de ser a tónica dominante ao longo da mixtape creio nunca atingir os mesmos níveis de euforia. infelizmente não o suficiente para que tenha vontade de a ouvir mais vezes ou mesmo até ao fim (ainda não fui além da faixa 17 e possivelmente nunca acontecerá).

* quebrando a (cada vez mais) típica promessa do "regresso" ao verdadeiro som do grime**

**freedom of speech insituía esse mesmo discurso (principalmente depois de toda a polémica pós ghetto gospel) e é-lhe fiel durante grande parte do tempo, mas os resultados ficaram aquém do esperado.

Sexta-feira, 14 de Março de 2008

gente de corpete

inexplicavelmente, a lauren mason tem sido um erro de casting demasiado frequente. a manter-se a tendência vai ser difícil não lhe criar ódio. "leader of the new school" podia ser bem melhor por essa mesma razão.

Quarta-feira, 12 de Março de 2008

Camisas


Achei por bem falar sobre o meu novo ódio pessoal: o Crazy D. Não é bem ódio, é mais uma tendência perpétua para evitá-lo ao máximo. O toasting é, seguramente, a coisa mais difícil do mundo. Exige muita espontaneidade, óptimos reflexos às escolhas do selector e, sobretudo, um isolamento face a lugares-comuns e repetições. É necessário estar-se enquadrado no género. E isto não acontece no caso dele. É demasiado eufórico, palrador (papagaio) e dispersa-se constantemente (freestyles por cima de produções do Loefah são, no mínimo, anedóticos). É presença habitual na Kiss FM mas ainda ninguém se arriscou a declarar a pobreza de espírito dele. Do lado inverso, o Sgt. Pokes respira inspiração divina. Inova e sabe ser oportuno. A assimetria entre eles é clara aqui. Quer-se paz.

Quarta-feira, 5 de Março de 2008

midas debaixo de água

como já tinha sido abordado anteriormente aqui, existe uma tendência para os produtores de dubstep verem as suas produções credibilizadas pelo carisma das vocalizações. "earth a run red" do coki é mais um exemplo de como um original lentíssimo (=dormente) que teima em aproveitar mal a vocalização do original de richie spice, se pode adulterar ao ponto de atingir bons resultados de modo a servir os propósitos dos mcs presentes. na versão com o flowdan e o brazen, nocturnal reconhece tudo aquilo que falhou na original do coki recriando o tema de modo a que as vocalizações o transportem a patamares bem mais elevados. se brazen consegue ser meramente competente, já flowdan parece ter o condão de transformar em ouro tudo aquilo em que toca. "nightlife" é tão somente uma das três melhores malhas dos últimos meses, e a sua inclusão na sua (futura) mixtape é motivo mais que suficiente para a aguardar com alguma expectativa.

props para o fábio e o diogo

Olhos de campo


Acredito que a "Forever" do Conquest faça chorar pessoas sem coração. Tem um semi-crescendo épico que nos obriga a olhar para trás e, lá mais para o meio, fechar os olhos e levitar. É este sentido de transgressão que se sempre quis no dubstep, legimitado continuamente por diversos produtores, mas que parece querer reverter para o primado rave a que o wooble agressivo obriga. A meditação nos subgraves está a ter o seu devido crescimento, mas talvez vá ter vertigens. Divergências dentro de um estilo são saudáveis num sentido de originalidade, mas também podem oferecer labirintos a quem o aprecia. Ninguém quer isso.

Segunda-feira, 3 de Março de 2008

coclea

tinchy stryder - cloud 9
ghetto - the mountain
wiley - wearing my rolex / i`m going out
dexplicit ft. gemma fox - might be (2008 remix)
doctor - come down (badman ting)
badness - the lava continues
ny - these streets
flowdan - night life
trim - soulfood vol. 3 promo
ruff sqwad - ruff sqwad man dem
newham generals - move to the beat

Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

olimpo

"unsigned hype" e "the mountain" fazem com que finalmente seja pertinente o entusiasmo algo desemedido em antecipação a freedom of speech. a primeira faz-se valer de melodias miniatura dispostas em camadas sobre uma batida que tresanda a 2004, mas é a segunda que carrega em si o grande peso das expectativas, com a cada vez mais viável aproximação do grime ao 4/4 da bassline a servir de contexto para uma ferocidade vocal tão incisiva que chega próximo de estados eplilépticos (se me permitem a sinestesia). para refrear os ânimos chega-nos também esta "how is it" a incidir novamente na toada hip hop de ghetto gospel, com resultados desastrosos por entre uma afectação melodramática muito enjoativa da parte de ghetto e inusitadas vozes femininas que se poderiam quase apelidar de new age. com as edições de soulfood vol. 3 e born blessed cada vez mais próximas e coisas como "wearing my rolex" e "i`m going out" a fazerem prever um grimewave bem mais estimulante do que aquilo que foi dado a mostrar em umbrella vol. 1, este primeiro trimestre de 2008 promete um verdadeiro confronto de titãs.

A Suavidade do Extintor