O Busy Signal ainda não esvaziou. Verdade seja dita: a criatividade tem limites e só se concretiza se houver oportunidade. Não há como fugir. Há-de chegar o dia em que tudo o que se fizer não será mais do que a reprodução de uma fórmula já pensada e executada. Por enquanto, brincar com Sérgio Mendes resulta e nunca se pensou que alarmes vibratórios pudessem ser tão úteis. Mas o Busy sabe que não é imortal, quando, depois desses devaneios, faz algo como "Dem Mad". Há tipos que investem em carreiras para alertar consciências - quantas vezes já se ouviu cantar teach di yuts dem? -, sendo sacrilégio fugir à lógica dos três acordes - vá, há excepções; outros também por lá passam mas só de passagem. Fazem-no para não sufocar o génio. Esta aposta na multiplicidade de registos é de valor. "Dem Mad" é um bombom já comido mas resulta precisamente porque não pretende marcar, não se quer eternizar. É só mais uma. Óptima, por sinal.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
esquecer brixton
dj one drop - kingston flavour
01. Danny Scrilla ft. Coldsteps - Rise&Shine (Special)
02. Danny Scrilla ft. Terry Lynn - Kingstonlogic (Special)
03. Busy Signal - Tic Toc (GreenMoney Remix)
04. Donaeo, Rubi Dan & Danny English - Party Harder (The Heatwave Refix)
05. Doctor - Funky Dancehall
06. Shystie - Pull It (Ill Blu Funky Remix)
07. Aggi Dukes - I’m On This Ting
08. Boy Better Know - Too Many Man
09. Sticky ft. Marvin Brown - Jack It Up
10. K.I.G - Bringing It Down
11. Rymez ft. Jusa - African Air Horn Dance
12. PatRizzla - Funky Medley (Jumeirah Riddim by Sticky)(Special)
13. Dirtee Drama - Somebody Move (Jumeirah Riddim by Sticky)
14. Danny Scrilla - Funky Optimus Prime (Special)
15. Crazy Cousinz - Inflation
16. Crazy Cousinz ft. Aidonia - Bounce
17. Smasher - The Weekend (Fugitive Riddim by Sticky)
18. Lady Chann - Yuh Eye Too Fast (Fugitive Riddim by Sticky)
19. Maxwell D - Txt Txt Txt (Fugitive Riddim by Sticky)
20. Swift Jay - Barefoot
21. T Boy - Don’t Jealous Me
22. Loco - Gallop
23. FootSteps ft. Vybz Kartel - Sweet To The Belly (Funky Remix)
24. Twizzle - Skydiving (GreenMoney "In Tha Sky" Remix)
25. DJ Mystery - Changes
26. Blackstar Productions - Slow Down
01. Danny Scrilla ft. Coldsteps - Rise&Shine (Special)
02. Danny Scrilla ft. Terry Lynn - Kingstonlogic (Special)
03. Busy Signal - Tic Toc (GreenMoney Remix)
04. Donaeo, Rubi Dan & Danny English - Party Harder (The Heatwave Refix)
05. Doctor - Funky Dancehall
06. Shystie - Pull It (Ill Blu Funky Remix)
07. Aggi Dukes - I’m On This Ting
08. Boy Better Know - Too Many Man
09. Sticky ft. Marvin Brown - Jack It Up
10. K.I.G - Bringing It Down
11. Rymez ft. Jusa - African Air Horn Dance
12. PatRizzla - Funky Medley (Jumeirah Riddim by Sticky)(Special)
13. Dirtee Drama - Somebody Move (Jumeirah Riddim by Sticky)
14. Danny Scrilla - Funky Optimus Prime (Special)
15. Crazy Cousinz - Inflation
16. Crazy Cousinz ft. Aidonia - Bounce
17. Smasher - The Weekend (Fugitive Riddim by Sticky)
18. Lady Chann - Yuh Eye Too Fast (Fugitive Riddim by Sticky)
19. Maxwell D - Txt Txt Txt (Fugitive Riddim by Sticky)
20. Swift Jay - Barefoot
21. T Boy - Don’t Jealous Me
22. Loco - Gallop
23. FootSteps ft. Vybz Kartel - Sweet To The Belly (Funky Remix)
24. Twizzle - Skydiving (GreenMoney "In Tha Sky" Remix)
25. DJ Mystery - Changes
26. Blackstar Productions - Slow Down
^^mix mais do que assertiva no que respeita à faceta dancehall do espectro da funky house. quem se resigna a aceitar o género (quando vocalizado) como uma mera reprodução gritty da sensualidade deep house (i.e. diva), tem aqui a prova em contrário.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Nuvens de vento
O dubstep morreu. Já não existe. Não choca. Pelo andar da carruagem, a coisa optaria progressivamente por um de três caminhos:
- progredir numa lógica minimalista/ambiental, alinhando nos infindáveis projectos de senda dub no género (na verdade, isto é novidade?);
- entregar o coração aos sintetizadores e ao electro atrofiado, o que, obrigatoriamente, pede um novo nome (já tem: wonky) e puxa pelo cabedal de produtores recentes - Zomby, Rustie, Joker e Ikonika à cabeça;
- alinhar no jogo do funky house, dentro das suas convenções (limitações?), coisa que já pôs os olhos de Kode9 a reluzir - ouvi-lo agora faz-me pensar em "dubstep aquático".
Não houve consenso. A cada um foi concedida a liberdade de decisão. Quanto ao dubstep original, "Miracles" de Mala fecha o livro.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
conte-os
com tantos tiros ao lado em soulfood vol. 4 e ultrasound, já para não falar dos falhanços monumentais do tinchy e do wiley, tem sido o badness a assegurar um saudável consistência em tudo aquilo que tem lançado (o flowdan tem também mantido a bitola alta, mas todos esperam ainda ouvir big dargz sobre a "chantes"). na tradição jamaicana que lhe é habitual, "sick wid it" com o frisco, segue a linha reggae soturno em toada mid-tempo na linha de "calm down" ou "run red" numa abordagem que já lhe é reconhecida, mas onde o patois se adequa de forma perfeita. mais surpreendente, "got what it takes" transporta o calor da soca através de um baixo a simular electro através de tensão wooble, descartando a presença de uma linha condutora assumidamente melódica pelo uso constante de samples etéreos/rasteiros na onda da alienação de "concrete streets" pela via da rarefacção da "messed". e com uma plenamente satisfatória prestação do j2k* a emular a coolness do skepta.
.
*até agora sempre o tinha ignorado, mas a participação em algo bastante recomendável como "fully involved" ou "i know" tem-no revelado bem mais merecedor da minha atenção do que inicialmente poderia prever.
.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
homenagem
vai fazer falta. esperemos que o bichinho (expressão terminantemente irritante mas adequada) não se tenha desvanecido por completo e em breve ele regresse a este espaço, também. a pobreza tem-se instalado.
.
deixo-lhe/vos esta. de 2008, mas ainda (e sempre) premente..
segunda-feira, 20 de abril de 2009
o lugar e o saber
enquanto a pilhagem electro ainda luta por um lugar na ribalta, por via do descaramento "sunglasses at night", com "bonkers" a soar a desilusão por tudo o que poderia ter sido, seria esperada alguma atenção que recaísse sobre a "i know" do scorcher. não existe nada de especialmente louvável neste divertimento eficaz contrastante com a saturação dos sintetizadores e do sample insistente a enfatizar alguma tensão, mas quando a alternativa passa por aproximações à pseudo-euforia do dispensável big beat a emular hip-hop de "chip diddy chip"* (já para não falar de algo doloroso como a "number 1"), os resquícios grime subliminares dotam-na de uma dignidade gratificante.
.
*como que a dissipar qualquer dúvida da viabilidade comercial de um chipmunk em (suposto) estado de graça. a preparar terreno para uma colaboração com artic monkeys ?
.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
juicy box
n10-tainment ft. ruth - i pray
jalla - turbulence
perempay & dee - buss it
boy better know - too many man
trim - soulfood vol. 4
fuzzy logic ft. egyptian - in the morning
apple - chantes
pro2jay - skank calm down
spyro - rinse
roska - fact mix 23
scorcher ft. j2k & wiley - i know
sharky major - sharky`s back
gracious k - migraine skank
k.i.g. - head, shoulder, knees & toes
killa p - emergency room
.
jalla - turbulence
perempay & dee - buss it
boy better know - too many man
trim - soulfood vol. 4
fuzzy logic ft. egyptian - in the morning
apple - chantes
pro2jay - skank calm down
spyro - rinse
roska - fact mix 23
scorcher ft. j2k & wiley - i know
sharky major - sharky`s back
gracious k - migraine skank
k.i.g. - head, shoulder, knees & toes
killa p - emergency room
.
segunda-feira, 30 de março de 2009
pescoço e garganta
"turbulence" do jalla forma com a canção-gémea "buss it" por perempay & dee o par perfeito para incendiar a pista em formato funky. partlhando uma afinidade comum pelo lado mais potenciador de hype do género sem que isso implique um desvio para territórios mais confrontacionais, não deixa de descartar o sentimento romântico / cândido / sexual mais usual da cena ("burnin`" do lil silva anda próxima, mas é mais descaradamente grimey). a primeira filtra a toada lounge/dubby do sample central com um sintetizador irrequieto para desaguar numa melodia reminiscente de "township funk", amplificada pelo template de baixo em modo ascendente/descendente da house mais hipster. "buss it" é um banger absolutamente épico com os sintetizadores mais grandiosos desde "seasons" a epitomizarem uma ligeira fixação dancehall que lhe confere todo o calor que tendencialmente se poderia desvanecer no meio do turbilhão. o sample enfatiza o lado explosivo. se os habituais detratores (dubstep e quejandos) se ficarem pelos comumente aceites roska e apple o problema só poderá residir numa enorme falta de bom senso. e não, não quero conhecer essas pessoas.
.
.
.
no capítulo das vocalizações "in the morning" de fuzzy logic é o melhor exemplo de uma verdadeira canção desde a clássica "do you mind" (ou talvez, "as i" do geeneus). o que poderia supor resultados comercialmente viáveis*. "daydream" dos mesmos crazy cousinz poderá estar próxima, mas ainda não a ouvi completa, pelo que uma opinião não será fidedigna. gosto do modo como a batida básica compete com as melodias midi/fruity loops por um som completamente ausente de reverb. impede a instrumentação requintada de absorver a prestação quente da egypt, sem com isso resvalar para uma flatness inócua. uma audição atenta compele a deliciosos pormenores, como a melodia etérea estranhamente devedora dos policiais tipicamente 80`s (vigília da noite et al) que aparece para o final.
.
.
*"do you mind" merecia melhor sorte, mas tanto o pouco esforço investido no vídeo (apesar de valores de produção atípicos no género) como uma falta de timing tremenda para o lançamento oficial faziam antever o fracasso comercial.
.
.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
meditações
invocações new age levam-me a refrear os ânimos quando tendo a apelidar "i pray" de espiritual. não só porque se trata da melhor música que ouvi em 2009, como a toada soturna que acarreta é muito possivelmente fruto da minha imaginação. e espiritual é o pior termo de sempre.
escuridão e luz
com a narcotização excessiva do dubstep a levar à dormência da ressaca, não deixa de ser meritório o olho "oportunista" do kode 9 para se acercar do calor da funky house. mesmo que despido do seu lado mais celebratório e hedonista, não deixa de funcionar como um veículo para a credibilização cultural que o género demora a atingir. a apreensão* do tim finney não deixa de ser plenamente justificável, mas por ora tanto "bad" como "2 bad" servem os seus propósitos de forma suficientemente digna.
* It's the kind of approach to the genre which inevitably turns it into just another serious anti-populist form of post-jungle UK beat music. I don't want funky to be about twenty angry guys in a basement staring at the floor while they meditate on the bass weight.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
fôlego
a letargia consome, o espaço sofre com isso. deixam-se as melhores memórias do ano. nem em jeito de balanço, nem de compensação pelo silêncio. necessidades frívolas:
discos:
trim - soulfood vol. 3
v/a - gaza lords vol. 1 & 2
tinchy stryder - cloud 9 ep
roll deep - return of the big money sound
jme - famous
the bug - london zoo
killa p - killer instinct
fuda guy - head gone
slix - down vol. 2
riko - the truth
canções:
kyla - do you mind (crazy cousinz rmx)
jme - sun, sea & sand
mavado - so blessed
wiley - if you`re going out i`m going out too
rapid feat. tinchy stryder - stuck on my mind
dj mujava - township funk
trim - inside looking out
durrty goodz - concrete streets
tinchy stryder - sex in the city
serani feat. bugle - doh
.
.
por ouvir: 2652, dusk & blackdown, jammer, geeneus, p money...outras
discos:
trim - soulfood vol. 3
v/a - gaza lords vol. 1 & 2
tinchy stryder - cloud 9 ep
roll deep - return of the big money sound
jme - famous
the bug - london zoo
killa p - killer instinct
fuda guy - head gone
slix - down vol. 2
riko - the truth
canções:
kyla - do you mind (crazy cousinz rmx)
jme - sun, sea & sand
mavado - so blessed
wiley - if you`re going out i`m going out too
rapid feat. tinchy stryder - stuck on my mind
dj mujava - township funk
trim - inside looking out
durrty goodz - concrete streets
tinchy stryder - sex in the city
serani feat. bugle - doh
.
.
por ouvir: 2652, dusk & blackdown, jammer, geeneus, p money...outras
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Ciência em trauma

OK, o Busy Signal passeia agora por chão forrado a ouro, céu pertíssimo da nuca. Loaded acrescenta nada para quem o conhece, serve apenas um propósito legítimo: projecção. De repente, milhares de olhos brilham perante uma descoberta que já respira há uns belos tempos. É natural que se pense:
«Ei, chegou a fase em que não mais o veremos em aventuras, antes estranhamente curvado num sofá confortável" ou "Duvido que, quando lhe perguntarem se continuará a surpreender, pisando constantemente a linha vermelha, ele faça mais do que fechar os olhos, apontar os indicadores para trás e dizer "Se é isso que queres, mantém-te na minha obra antiga, está lá tudo."»
Mas não. Basta avaliarmos a ida ao Westwood. Talvez resultasse melhor se houvesse uma caçadeira apontada ao Lloyd para acalmar os seus ânimos e tiques - não vou ser cruel ao ponto de dizer que não quero ouvir falar dele nos 200 anos que se seguem -, mas o que importa é que o Busy é mágico na prestação. Por razão divina, os atropelos e os erros que vai cometendo fortalecem o flow e dão uma cadência fabulosa às melodias. A espontaneidade que transmite é notável quando resolve entrar num jogo de moldagens, colando letras em diferentes riddims. Como se sabe, há um sem-número de artistas no dancehall que vestem a capa do talento sem merecê-la. Fecham-se no estúdio - a sua salvação - e, no momento de subir ao palco, muitas das fraquezas são postas a nu (não são poucas). Mas ele não (eis a honestidade em pessoa); mesmo que as tenha, passam por nós sem nos apercebermos, precisamente por mostrá-las sem pudor (eis a humildade em pessoa). E assim permanecerá.
terça-feira, 22 de julho de 2008
olá fugaz
porque já devia ter mencionado esta pérola aqui. e porque o silêncio não significa que tenhamos esquecido este espaço (pouco tempo/disposição para escrita). enjoy the weather.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Pontadas

É pertinente uma peça sobre o funky house nesta altura? É, pois. O funky house é de valor e nasceu na melhor das cidades para fazê-lo. Ao ser de Londres, evita um caminho forçado e previsível, tão comum num circuito maior, de oferta enorme e, por isso, caótica, dispersa entre más referências e a qualidade num esconderijo algures (América, é para ti). Ao invés disso, e talvez por estar ainda de chupeta na boca e a dar os primeiros passos, vai dando sinais através de sets em rádios-piratas, mixes a circular na net, pequenas festas, tudo ao nível da divulgação moderada. É curioso notar-se que, por enquanto, encontrar faixas para download é o cabo dos trabalhos (não contar, é claro, com edits). O entusiasmo, esse, vai crescendo e não em tom de hype. O Skepta, a tirar proveito do jeito, já tem coreografia para a "Bongo Jam", que não cheira tanto a kitsch como outras produções para o Verão. Eu cá fico com vontade de fazer amor quando oiço a Kyla na remistura de Crazy Cousinz. Curioso falar-se no kitsch: parece ser um ponto de partida não intencional. Vendo bem, nada há de novo no funky house. As vozes são de uk garage rasca, os caseiros UKG beats suam com o calor do soca, os cartazes das festas são ridículos, mas parece haver uma vontade enorme de fazer música. A pobreza e a piroseira do estilo são óbvias, mas tem-se prestado culto a isso. E é uma altura preciosa para poder crescer. Com asas.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
topografia citadina
único momento em meses em que wobble não significa auto-fagia, "fuckaz" supera as suas aparentes limitações por fazer convergir entusiasticamente coordenadas que tendencialmente se afastam (apesar da proximidade física...eh). num london zoo em flirt constante com a jamaica pela via dos mc`s presentes (ricky ranking ou tippa irie) e de um carinho especial do the bug pelo dub e dancehall, demarca-se pela sua bem sucedida incursão pelo passado (mais ou menos) recente da electrónica londrina, numa justaposição de referências óbvias mas devidamente alinhavadas para que se evite uma elegia forçada. pontos extra para um surpreendente lite-toasting de spaceape , longe da aura narcótico-profética de memories of the future, mas carregando aquele elemento aggro que devidamente contextualizado (como aqui) destrói com facilidade qualquer argumento a favor da agressividade de freedom of speech. não será seguramente por aqui a via a seguir, mas por ora tem-se revelado bem mais do que a soma das suas partes. tendo em conta a probabilidade de erro desta equação, a sua eficácia é louvável (mesmo que alimentada pelo lado contestatário (potenciador de hype?) da coisa).
sábado, 24 de maio de 2008
São serrilhas

O Skream acordou. Para bem dele e de todos. "Love Don't Come Easily" tem mais de significado intelectual do que musical. Tem mais encanto na forma e no espírito que terá servido de motivação do que no conteúdo. Sem contextualização e sem nos lembrarmos das coisas que ele fez até hoje, não é original, não enriquece, é apenas um conjunto de colagens. O ritmo minimal é típico das produções do Loefah, os subgraves criam a ideia de isolamento para oração mental de que o Kode9 tanto gosta. A surpresa surge concretamente no choque entre a faixa e o passado. Uma pergunta legítima lançada há uns meses num tópico de um fórum: "How come people who hate wobbly dnb seem to love the same shit at 70bpm?". O título era certeiro: "crappy cheesy wobbly dubstep". Os argumentos nos comentários apontavam, não tanto para o caso particular da pergunta, mas para algo genérico: os wobbles criam a sensação de repetição, aborrecem e, depois de muito utilizados, não se distinguem entre si. É um labirinto que começa numa casa de chocolates para cativar. É a morte certa. O Skream percebeu isso. Depois de produções tão inúteis como "Fick", "Kinky" ou "Filth", todas elas segundo a lógica superficial das raves, eis algo sério, interessante. O Martin Clark deve estar feliz. Eu estou.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
pó de laranja
não havia qualquer necessidade disto. quer pela pobreza das rimas e de uma cadência completamente desajustado da voz, quer pelo destinatário desse mesmas rimas (para quê um diss a um rookie como o griminal?), a que não ajuda um riddim que tresanda a fruity loops circa 2003 (o que neste caso não é nada bom). e eu que acho que o tempa t até tem a capacidade de gerar um motim no estoril em noite bassline* deixo-me entorpecer.
.
.
*algo pouco plausível de acontecer, mas que serve os propósitos da imagem a passar.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
segunda-feira, 5 de maio de 2008
esconderijos subterrâneos
"street soldier" volta a mostrar (como se tal fosse necessário) que a ny é o melhor rebuçado a oferecer como contraponto a um grime tão dado à impenetrabilidade/aspereza. demarcando-se da restante "concorrência" (existe?) pela elegância e doçura com que dialoga com os bad boys do género soa de tal modo natural que todos deviam esquecer que esta senhora existe. split endz é prova disso. aqui, as ruas servem de cenário para um encontro com um doctor extremamente satisfatório no modo "gotta man", por entre apontamentos vocais 2 step de um instrumental em cascata sintetizada do davinche. os "oh" do doctor no refrão de desnecessários poderiam ser mesmo irritantes, não fosse a agridoce prestação da ny (pelo seu pendor algo combativo) eclipsá-los (quase) por completo. kudos pela sensatez.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Sabor a nuvem

O Killer Instinct tem o defeito já comum neste formato: há faixas boas e fraquinhas, exigindo de nós algum sentido de selectividade para equilibrar as coisas. É bom que o Killa P vá editando por duas razões que me parecem óbvias: por ser um óptimo MC e por contar sempre com a presença do Flowdan, que, à falta de mixtapes, vai criando expectativas a seu ritmo. "Gs Up" é um miminho bastante requintado e bem embrulhado (melhor faixa?), "Ganja" não é surpresa nenhuma por já ter vindo no Rules And Regulations, o que não impede, porém, de ter os arranjos de cordas mais consistentes e adequados de que há memória no grime, "Body Bag" é chuva de confettis e "Stage Show" é o melhor riddim do Skepta de sempre (se bem que o Riko soube tirar proveito dele de uma forma mais estimulante no The Truth).
Repito: "Stage Show" é o melhor riddim do Skepta de sempre.
Repito: "Stage Show" é o melhor riddim do Skepta de sempre.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
